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Bolsonaro falta com a verdade, mais uma vez, e é novamente desmentido por sua própria equipe

O presidente Jair Bolsonaro, mais uma vez, faltou com a verdade em suas declarações ao apontar falsos resultados de uma pesquisa ainda em andamento sobre o desenvolvimento de crianças oriundas de famílias em situação de vulnerabilidade social atendidas por políticas públicas. Na verdade, Bolsonaro sequer acertou o nome do programa, já que a pesquisa em questão, que será concluída somente em 2022, se refere ao Programa Criança Feliz, lançado em 2016 pelo governo federal, e não ao Programa Bolsa Família, criado em 2003 para combater a pobreza e a desigualdade social. Na ânsia por agredir e por espalhar acusações infundadas, Bolsonaro novamente produziu uma manifestação sem compromisso com a realidade e baseada apenas em suposições e preconceitos.

Em nota divulgada na imprensa nesta sexta-feira, o Ministério da Cidadania teve que desmentir o chefe, o que já está virando rotina no atual governo. Conforme a pasta, há uma pesquisa em andamento sobre o desenvolvimento infantil de crianças abaixo dos três anos de idade, que realizará uma comparação entre os testes aplicados em 1.500 crianças atendidas pelo Criança Feliz e em 1.500 que não participam do programa. “A partir do resultado final da pesquisa, previsto para 2022, o governo federal poderá medir o impacto e efeitos do Programa Criança Feliz sobre a estimulação intelectual no ambiente doméstico e no desenvolvimento cognitivo e psicomotor das crianças”, diz a nota do ministério.

Ora, se os resultados serão consolidados e tornados públicos somente em 2022, com que propriedade um agente público dispara suas avaliações pessoais apressadas como se fossem a derradeira conclusão científica do mais rigoroso processo de observação dos fatos? O próprio Ministério da Cidadania se limita a constatar que, “no primeiro contato com as famílias beneficiárias durante a construção da linha de base (ou seja, antes do início da participação das famílias no Programa Criança Feliz), foi verificada uma defasagem no desenvolvimento cognitivo das crianças beneficiárias de aproximadamente 35% em comparação com outras crianças”. Uma análise preliminar à própria realização da pesquisa, portanto. E, por sinal, até bastante óbvia.

O ministério confirma sua avaliação antes da pesquisa começar baseado no conhecimento público entre especialistas e pessoas razoavelmente bem informadas de que crianças em situação de vulnerabilidade social vão ter um desenvolvimento mais lento do que aquelas crianças que têm acesso a uma nutrição equilibrada e a atendimentos básicos em saúde. Daí a fazer qualquer tipo de relação entre o desenvolvimento mais lento e as crianças beneficiárias de programas como o Bolsa Família é de uma leviandade sem precedentes, ainda mais quando se trata da manifestação de um agente público ocupante da cadeira presidencial. Ainda mais quando o objetivo do programa é justamente o de tirar as crianças (e suas famílias como um todo) desta situação de vulnerabilidade causada pela pobreza, exatamente porque se sabe de forma preliminar que essa situação vai prejudicar o pleno desenvolvimento destas crianças.

Margarida Salomão

Deputada Federal (PT-MG)