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Crise diminui denúncias de assédio sexual no Brasil

“O que mais me enojava, me causava arrepios, era quando eu estava no balcão da loja e ele vinha por trás. Sentia a respiração dele no meu ouvido, o toque de passar atrás de mim”, diz C.V., sobre o dono da joalheria em que trabalhava. “Aquilo me fazia sentir um lixo. Era o chefe, não dava para empurrar, eu tentava ir para a frente.” Assim que se casou, ela foi demitida.

Esse relato é uma das histórias que a Folha de São Paulo apurou para comprovar que a crise diminuiu o registro de denúncias de assédio sexual no Brasil. O número de denúncias de assédio e ações na Justiça por esse motivo, que vinha crescendo com a expansão do movimento feminista no país nos últimos anos, perdeu força com a recessão e o desemprego oriundos do desgoverno de Michel Temer.

“O empoderamento feminino passa também pela condição financeira. Com a crise, mais mulheres têm medo de perder o emprego. E, infelizmente, acabam aceitando esse tipo de abuso”, destacou a deputada federal Margarida Salomão (PT-MG).

Além disso, o governo golpista reduziu em 35% investimentos em políticas de direitos humanos. Com a perda do status de ministério, secretárias que desenvolviam políticas para mulheres, igualdade racial, LGBTs e direitos humanos perderam recursos e importância.
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Dados do Ministério Público do Trabalho mostram que 2015 representou uma interrupção num movimento de alta que vinha sendo registrado desde 2012 no volume de denúncias, estimuladas por campanhas de conscientização do órgão sobre o assédio.

De 146 casos registrados em 2012, o número de denúncias aumentou todos os anos até atingir 250 em 2015 -ano em que as demissões no setor formal da economia superaram as contratações em 1,5 milhão de vagas, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Em 2016, que marcou o segundo pior saldo negativo do emprego na história -com 1,3 milhão de vagas perdidas- o número de denúncias de assédio sexual se estagnou em 248. Neste ano, foram 144 até julho.