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Deputados da Zona da Mata acionam Ministério Público requerendo mais leitos para Juiz de Fora

Sistema de saúde da cidade pode entrar em colapso em junho deste ano

Os deputados estadual Betão Cupollilo e federal Margarida Salomão, ambos da Zona da Mata mineira, protocolaram nesta terça-feira (12), uma representação junto ao Ministério Público de Minas Gerais requerendo ampliação dos leitos clínicos e de UTI´s para essa região na tentativa de se evitar o colapso do sistema de saúde regional, previsto para junho deste ano.

“Juiz de Fora tem o pior cenário da pandemia em Minas Gerais com 21 mortes por Covid-19 e também o maior indicador de contaminação entre os 20 principais municípios do Estado. Mesmo diante desse cenário, até o momento, os governos estadual e federal não se alertaram quanto perigo da situação, tendo em vista a proximidade do município com outros estados”, disse Betão

Juiz de Fora precisa de 304 leitos de UTI do Sistema de Único de Saúde para o combate à covid-19, mas até o momento conta apenas com 134, os quais não são exclusivos para atendimento dos casos de coronavírus. Essa previsão foi elaborada pelo município de Juiz de Fora em parceria com a Universidade Federal (UFJF).

“No Rio de Janeiro, o sistema já entrou em colapso e as pessoas estão vindo para cá buscando atendimento.  Há um risco real de ficarmos como Rio de Janeiro. Já temos 80% de ocupação dos leitos. E comparando à Belo Horizonte, nossa situação é duas vezes mais grave, segundo o último levantamento publicado. É a mais grave do estado. É preciso que o Governador olhe para cá. Não podemos aceitar que o Governador cruze os braços”, ressaltou Margarida Salomão, citando as taxas de incidência. Em BH, são 38.45 casos de Covid para cada 100 mil habitantes enquanto em Juiz de Fora, são 57,31 a cada 100 mil pessoas; nas mortes, na capital, 1,04 morre a cada 100 mil em Belo Horizonte em função do covid, já em Juiz de Fora são 2.46 mortes a cada 100 mil pessoas.

 

A cidade da Zona da Mata é a quarta cidade mais populosa de Minas Gerais e a segunda colocada no ranking de casos da covid-19, respondendo por 10% dos casos do Estado e por 15% das mortes pela doença. O próprio Estado de Minas Gerais reconhece a necessidade de ampliação dos leitos. No dia 1º de abril apresentou um Plano Operativo de Contingência da Macrorregional Sudeste, na qual Juiz de Fora atua como cidade-sede congregando outros 94 municípios. Nesse plano, o Estado prevê a necessidade de 229 leitos clínicos e 92 de UTI exclusivos para atendimento da Covid-19. Hoje, a cidade possui 28 leitos exclusivos para o combate à Covid-19. A proximidade com o Rio de Janeiro, estado com alto índice de contaminação impacta ainda mais o sistema.

Veja a representação Representação MP

Passados mais de 40 dias da constatação por parte do Estado de Minas Gerais, até o momento, a cidade não experimentou ampliação considerável de leitos clínicos e de UTI, nem ampliação significante de recursos humanos, equipamentos médico-hospitalares e EPI´s, a fim de atender ao desafio da pandemia.

 

“O perigo é iminente. A previsão de ampliação dos leitos feita pela prefeitura e pela UFJF é 100% maior do que àquela assumida pelo Estado de Minas Gerais, sendo que a meta do Estado ainda não foi sequer inicializada. Não podemos esperar mais”, enfatiza Betão.

Em coletiva realizada no dia 29 de abril, o governador do Estado de Minas Gerais, Romeu Zema,anunciou R$ 645 milhões em investimentos para o combate à covid-19 em Minas Gerais. Tal recurso foi destinado à construção de um hospital regional em Governador Valadares, além de conclusão de unidades em outras quatro cidades de Minas, sendo que Juiz de Fora novamente de fora da lista de entes federativos beneficiados. No dia 06 de maio, em entrevista à Rádio CBN de Juiz de Fora, o Secretário de Estado de Saúde (SES/MG), Carlos Eduardo Amaral, informou que a retomada das obras para construção do Hospital Regional de Juiz de Fora voltará em pauta no Governo de Minas Gerais somente após o período crítico de combate ao novo coronavírus.