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ENEM: A reflexão sobre as mulheres na sociedade brasileira “causou”

A questão do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) sobre igualdade de gênero, com um texto de Simone de Bevoir, repercutiu bastante nas redes sociais no sábado (25)  e a discussão aumentou quando candidatos e candidatas se depararam com o tema da redação: “A persistência da violência contra a mulher”.

Mantendo o histórico de abordar temas sociais, exigindo uma reflexão crítica, este ano, diferente de outras edições, não há dúvidas a respeito do posicionamento a ser defendido na redação. Quem se colocar a favor da violência estará eliminado, obviamente, porque é indefensável a violência contra qualquer ser humano e indiscutível a necessidade de mudar a realidade apresentada nos dados de apoio para o desenvolvimento do texto, analisou a deputada federal Margarida Salomão (PT-MG), que é professora e ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

“Muito pertinente e feliz essa escolha do tema da redação, porque neste domingo tivemos mais de 7 milhões de estudantes, majoritariamente jovens, refletindo e discorrendo sobre uma situação grave que, mesmo com legislação específica, não conseguimos combater. Mais ainda, em um momento de fúria conservadora, que tenta cegar a sociedade e barrar as medidas que poderiam conter e reverter, como a retirada da palavra ‘gênero’ dos planos de educação”, explica a deputada, lembrando ainda que este ano foi revogada a portaria que criava o Comitê de Gênero no Ministério da Educação.

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Para a deputada, medidas para buscar a Igualdade de Gênero, principalmente na educação, são essenciais para reduzir a violência contra as mulheres numa sociedade secularmente machista e patriarcal, que culpabiliza  a vítima. “Não nos faltam exemplos. O caso da menina de 12 anos participante de um reality show assediada nas redes sociais e a campanha #PrimeiroAssédio que deu visibilidade a tantas outras mulheres que vivenciaram a mesma violência, ainda na infância ou na adolescência, demonstra a necessidade de educar para que isso deixe de ser aceito socialmente e praticado”, argumenta.

A abordagem da desigualdade de gênero no exame, reforçada pelo tema da redação “causou” nas redes. Muitos comentários positivos e algumas reclamações, associando a prova a uma “doutrinação” ideológica. “Falar que o exame ‘doutrina’ é uma demonstração de ignorância completa. Houve uma variedade de referências, que permitem ao estudante o contato com pensamentos diversos e a reflexão sobre a realidade brasileira. Isso é primordial para quem busca ingressar numa universidade”, complementa Margarida. A deputada afirma que o fato de ter apenas uma questão referenciada no feminismo não caracteriza a prova como feminista, mas o tema da redação acerta em um aspecto fundamental para uma sociedade mais justa. “Machistas não passarão e seria muito bom que este resultado ultrapassasse os limites de uma prova”.

Enem 2015

Este ano, o percentual de abstenções do exame foi de 25,5%, o menor da série histórica. Nos dois dias de provas, foram eliminados 743 participantes, menos da metade dos 1.519 excluídos do certame em 2014. Apenas três ocorreram por postagem de imagens do local de provas em redes socais.

O Enem é considerado um mecanismo de democratização do acesso às políticas públicas de educação. Com a nota obtida no exame, o estudante pode tentar vaga na educação superior por meio do programa Universidade para Todos (ProUni), que permite a estudantes brasileiros de baixa renda obter bolsas de estudos integrais e parciais (50% da mensalidade) em instituições particulares de educação superior. O resultado também é requisito para receber o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), participar do programa Ciência sem Fronteiras e ingressar em vagas gratuitas dos cursos técnicos oferecidos pelo Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec). Estudantes maiores de 18 anos podem também obter a certificação do ensino médio por meio do Enem.