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O Brasil e as dores do crescimento

Luis Nassif

Luiz Nassif*

Esta semana o ex-presidente Lula publicou um artigo no jornal “Valor Econômico” que lança luzes sobre os desconfortos do momento atual.

Diz ele:

* Nos últimos 11 anos, o PIB em dólares cresceu 4,4 vezes.

* O comércio externo saltou de US$ 108 bilhões para US$ 480 bilhões ao ano.

* O Brasil tornou-se um dos cinco maiores destinos do investimento internacional.

* O país tornou-se líder mundial em carnes, soja, açúcar, laranja e etanol.

* A dívida pública líquida caiu de 60,4% do PIB para 33,8%.

* Foram criados 21 milhões de empregos, 36 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza e 42 milhões alcançaram a classe média.

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É evidente que há muito a caminhar. E o principal problema é a estagnação da economia.

O relevante nos dados apresentados, em todo caso, é entender que, hoje em dia, tem-se um país fundamentalmente diferente do país de 8, ou 11 ou 20 anos atrás. A escala é outra, a maturidade é outra. Mais importante: os problemas são outros. A arte do desenvolvimento é resolver velhos problemas e gerar novos, que, sendo resolvidos, gerarão novos saltos de desenvolvimento e novos problemas.

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A dinâmica social é de uma riqueza intensa, fora do alcance dos cabeças de planilha.

Tomem-se os anos 20. Depois de décadas de estagnação da economia, os movimentos migratórios do final do século 19 começam a despejar nas escolas e no mercado os filhos de imigrantes. Segue-se o imenso desconforto com a Velha República que resulta na Aliança Liberal e na ascensão de Getúlio e na mudança de patamar do desenvolvimento.

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No governo Jango, dois fenômenos deflagram as insatisfações: a entrada nas escolas e no mercado dos filhos da urbanização, trazendo uma vontade imensa de discutir e entender o Brasil; e a necessidade das reformas para abrigar os novos incluídos pela grande salto modernizante (e concentrador) do período JK.

O “milagre econômico” dos anos 70 criou uma nova classe de incluídos: os metalúrgicos do ABC. Antes do “milagre” grande parte deles eram imigrantes nordestinos sem maiores oportunidades. O ambiente econômico permitiu sua inclusão e sua transformação em classe média ascendente. Encerrado o ciclo do milagre, minguaram as expectativas em relação ao futuro. E resultou daí os movimentos grevistas que abriram espaço para a redemocratização futura. Ou seja, o metalúrgico militante dos comícios da Vila Euclides não tinha a mais remota relação com o imigrante que ele era antes da ampliação do setor.

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Como o país de hoje é imensamente maior do que o de 11 anos atrás, a infraestrutura, a parte institucional não dá conta. Daí a necessidade premente de, em cada canto de política pública, se pensar na reinvenção do Estado.

Alguma coisa já se caminhou. Por exemplo, constatou-se a enorme dispersão de projetos da logística em diversos ministérios e autarquias. A solução foi agrupá-los na Empresa Brasileira de Planejamento.

No caso da política industrial, fez-se o mais difícil: a criação de um clima de entendimento com o setor privado nas câmaras setoriais da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial). Mas o sistema de deliberações continuou disperso, dependendo do MDIC, da Fazenda, do Tesouro. Daí a necessidade de uma reengenharia concentrando em um único órgão o leque de instrumentos destinados a melhorar o ambiente econômico.

É esse fogo de transformações que se espera dos candidatos às próximas eleições presidenciais.

*Fonte: Luis Nassif Online